sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

2.º - Comunicação de Elite/Escola


Comunicação de Elite

Este segundo momento é o da transposição

Este momento da história da comunicação é marcado pela preocupação do Emerec se libertar de si próprio e do seu ambiente, pela transposição dos seus pensamentos e dos objectos que o rodeiam. O Emerec vai ser capaz de criar obras que terão vida própria, independente da sua, obras que vão comunicar diversas mensagens, mesmo para além da sua presença.

A transposição vai ter um duplo efeito: permitir a Emerec representar a sua percepção da realidade, mais do que a realidade concreta, só «comunicável» com gestos e palavras e dispensar os homens-média, para comunicar à distância no espaço e tempo.

Jean Cloutier considera o audiovisual como a primeira forma de transposição. Esta transposição é representação que é obra de seres privilegiados que são também homens-media.

Emerec separa o mundo sintético do audovisual, separa os olhos dos ouvidos e cria o mundo dos sons, a audiosfera, e o mundo das imagens, a eidosfera.

Emerec utiliza instrumentos musicais para comunicar por meio do ritmo, aperfeiçoa-os, tornando-os verdadeiros prolongamentos da voz, com os quais exprime os seus estados de espírito e transpõe as suas sensações e emoções. A música torna-se, pouco a pouco, numa linguagem acústica que dispensa a dança. Emerec transforma o tam-tam, dotando-o de um código sonoro rigoroso, ainda que limitado, como o da linguagem verbal. O tam-tam torna-se um sistema de telecomunicações que vence distâncias. Em simultâneo, Emerec utiliza sinais de fumo, código visual, para comunicar à distância.

Fazendo uso da sua habilidade, Emerec vai transpor graficamente a realidade que o rodeia em duas dimensões nas paredes das cavernas, fazendo uso de desenhos e pictogramas.

Com o aparecimento da escrita fonética, Emerec entra num novo mundo, o da sriptósfera. A escrita fonética é uma linguagem híbrida, um meio de transcrever visualmente a linguagem sonora que é a palavra. Esta linguagem continha pouca informação visual, para além da que servia para transmitir a informação linguística.

O homem vai acabar por misturar a escrita e a imagem – escrita manuscrita - do mesmo modo que aliava o gesto à palavra, surgindo assim o scripto-visual. Esta linguagem é uma linguagem sintética que utiliza todos os recursos da comunicação visual, combinando a informação linguística, jogando com as variáveis dessa percepção num dado espaço, tamanho, valor, grão, cor e orientação. No scriptovisual as relações estruturais das diferentes informações são muito importantes. Podemos encontrar nos jornais um exemplo evidente da importância da informação, pelo tamanho do título e pela posição do artigo. As informações mais importantes aprecem na primeira página salientadas por grandes títulos e por imagens.

Neste momento de comunicação, as linguagens visual, scripto e scripto-visual vão necessitar de um suporte material para transmitir as suas mensagens (um desenho, palavra ou uma nota de musica). Este suporte material é o médium que permitiu ao Emerec vencer a distância no espaço e no tempo.

O primeiro médium de transposição é um documento, que se inicia na placa de argila até ao manuscrito. Para vencer a distância era necessário fazer o transporte do documento com as mensagens gráficas (desenho e escrita). Estas mensagens conseguiram vencer o tempo porque foram utilizados suportes materiais que resistiram ao próprio tempo. Ainda, hoje encontramos mensagens que se perpetuaram no tempo, nos muros das cavernas e em placas de argila com milhares de anos.

Todo o homem utilizava o gesto e a palavras, mas só alguns (homens privilegiados) tinham a capacidade de se exprimir através da música do desenho. A escrita fonética também era um saber que não pertencia a todos, devido à sua complexidade que requeria uma aprendizagem especial. O escriba foi o primeiro tecnocrata.

Este novo tipo de comunicação baseia-se na desigualdade dos comunicadores, uns que sabem e outros que não sabem. Assim, o poder está nas mãos dos que sabem (elite). A partir daqui as relações humanas são restabelecidas em função das estruturas que consagram a desigualdade – educação de elite.

Escola

A escola está associada à comunicação de élite. Sob a égide do poder político e religioso, o homem social organizou a transmissão de conhecimentos, com o objectivo de formar cidadãos dóceis e paroquianos. De um lado encontramos alunos que aprendem a obedecer e do outro os mestres (que sabem tudo). As elites formavam-se em colégios e Universidades. Estas instituições estavam destinadas a receber os alunos das classes sociais superiores para perpetuar a élite. Ainda, hoje existem colégios particulares que preparam elites e onde só entram alunos cujos pais têm grande poder económico.

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