sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Perspectiva histórica da evolução da comunicação/ educação

Segundo Jean Cloutier a história da comunicação é cumulativa e divide-se em quatro momentos:

1.º - Comunicação Interpessoal/Família;

2.º - Comunicação de Elite/Escola;

3.º - Comunicação de Massa/Escola Paralela

4.º - Comunicação pessoal e Individual/Auto-educação.

Cada nova linguagem, cada novo médium que Emerec criou no decurso dos tempos, sobrejuntou-se ao(s) anterior(es), aumentando assim a sua capacidade de comunicação. O processo evolutivo é longo e trabalhoso, pois cada um deles transforma progressivamente Emerec. Lévi-Strauss (1958) afirma que desde que o homem adquiriu a linguagem, determinou as modalidades da sua evolução biológica, sem ter dado por isso.

Figura 1: Evolução dos momentos comunicativos e dos contextos educacionais

È necessário salientar que a passagem de um momento a outro não se faz por um mero acto de substituição de tecnologias, pois isso seria demasiado simplista, mas que há rupturas e continuidades no desenvolvimento do processo. Como nos diz Mattelart (1996), cada nova fase de evolução condiciona a anterior a um nível de especialização, orientando-a para uma função determinante e intervenção específica.

Cada momento caracteriza-se pela utilização de novas formas de comunicação, que transformam a sociedade e constituem um novo tipo de comunicação.

1.º - Comunicação Interpessoal/Família


Comunicação Interpessoal

Este primeiro momento é o da exteriorização

O primeiro momento da história da comunicação iniciou-se com o homo sapiens, há várias centenas de milhar de anos. Vivendo em condições difíceis, o homem teve que arranjar formas de se proteger contra as forças da Natureza. Encontrando-se, em desvantagem em relação aos animais, compensou a sua fraqueza com a sua astúcia e a sua habilidade manual. O homo sapiens tornar-se-á simultaneamente o homo faber e homo loquens.

Este homem aprende a exteriorizar as suas necessidades, as suas ideias e os seus desejos, estabelecendo um sistema de comunicação cada vez mais elaborado a partir do seu próprio corpo. Utiliza gestos e emite sons que se tornam, pouco a pouco, códigos significativos. A dança e o canto permitem-lhe exprimir sentimentos, manifestar alegria, tristeza ou oração.

No decurso deste momento, a expressão corporal e verbal constituiu o único modo de comunicação Emerec. Este meio de comunicar exige a presença de todos os interlocutores num mesmo espaço e tempo. Cria-se então entre eles uma relação caracterizada pele ambivalência de Emerec, cada intercomunicador é alternadamente, um e outro, em consequência da rapidez das suas reacções. Baseando-se na troca e na reciprocidade entre inter-locutores e os inter-comunicadores, estamos perante uma comunicação interpessoal.

Nesta forma de comunicação, temos o homem como único medium de comunicação. Estando o alcance da comunicação de Emerec limitado pela acuidade auditiva e visual do seu interlocutor e, não tendo, ainda, aprendido a transpor e a materializar as suas mensagens, para comunicar à distância, ele teria que se deslocar ou confiar a mensagem a outro homem (mensageiro). Este reproduziria pelas suas próprias palavras, pelos seus próprios gestos, a mensagem que lhe foi confiada.

A duração da comunicação de Emerec é limitada ao instante. Assim, podia repetir a sua mensagem, sendo a sua comunicação limitada pela duração da sua vida ou confiá-la a outro homem que se encarregue de a perpetuar no tempo. Este homem era um especialista desta transmissão oral, desempenhando o papel de memória do tempo. Ainda, hoje encontramos alguns destes homens em algumas tribos da Amazónia e África.

A família

A família desponta como a estrutura educativa por excelência, numa configuração comunicativa marcada pela ralação espaço/tempo, pela necessidade da co-presença dos interlocutores e pela estantaneidade da mensagem, através da expressão oral (fala) e corporal (gestos).

Nas economias de subsistência, sociedade familiar, de cultura comum, aprender significa alcançar uma identidade comunitária e a subsistir. O pai ensinava o filho a caçar, a pescar, a semear, a apanhar frutos, etc. Esta tarefa de comunicação não se limitava a uma mera exposição verbal, ou a uma simples demonstração do acto, o jovem deveria exercitar-se e corrigir-se quando cometia erros. Rapidamente, o filho poderia evoluir fora da sua família, podendo mais tarde por si próprio ensinar coisas ao pai. O saber humano não é um bem que se transmite, imutável, de geração em geração, como fazem os animais, mas um capital que aumenta de pais para filhos. Neste sentido um Emerec evolui por uma aquisição cumulativa de saber e saber-fazer.

Ainda, hoje em dia esta modalidade de aprendizagem é praticada no seio das famílias, onde os jovens adquirem uma parte dos saberes fundamentais à vida.

2.º - Comunicação de Elite/Escola


Comunicação de Elite

Este segundo momento é o da transposição

Este momento da história da comunicação é marcado pela preocupação do Emerec se libertar de si próprio e do seu ambiente, pela transposição dos seus pensamentos e dos objectos que o rodeiam. O Emerec vai ser capaz de criar obras que terão vida própria, independente da sua, obras que vão comunicar diversas mensagens, mesmo para além da sua presença.

A transposição vai ter um duplo efeito: permitir a Emerec representar a sua percepção da realidade, mais do que a realidade concreta, só «comunicável» com gestos e palavras e dispensar os homens-média, para comunicar à distância no espaço e tempo.

Jean Cloutier considera o audiovisual como a primeira forma de transposição. Esta transposição é representação que é obra de seres privilegiados que são também homens-media.

Emerec separa o mundo sintético do audovisual, separa os olhos dos ouvidos e cria o mundo dos sons, a audiosfera, e o mundo das imagens, a eidosfera.

Emerec utiliza instrumentos musicais para comunicar por meio do ritmo, aperfeiçoa-os, tornando-os verdadeiros prolongamentos da voz, com os quais exprime os seus estados de espírito e transpõe as suas sensações e emoções. A música torna-se, pouco a pouco, numa linguagem acústica que dispensa a dança. Emerec transforma o tam-tam, dotando-o de um código sonoro rigoroso, ainda que limitado, como o da linguagem verbal. O tam-tam torna-se um sistema de telecomunicações que vence distâncias. Em simultâneo, Emerec utiliza sinais de fumo, código visual, para comunicar à distância.

Fazendo uso da sua habilidade, Emerec vai transpor graficamente a realidade que o rodeia em duas dimensões nas paredes das cavernas, fazendo uso de desenhos e pictogramas.

Com o aparecimento da escrita fonética, Emerec entra num novo mundo, o da sriptósfera. A escrita fonética é uma linguagem híbrida, um meio de transcrever visualmente a linguagem sonora que é a palavra. Esta linguagem continha pouca informação visual, para além da que servia para transmitir a informação linguística.

O homem vai acabar por misturar a escrita e a imagem – escrita manuscrita - do mesmo modo que aliava o gesto à palavra, surgindo assim o scripto-visual. Esta linguagem é uma linguagem sintética que utiliza todos os recursos da comunicação visual, combinando a informação linguística, jogando com as variáveis dessa percepção num dado espaço, tamanho, valor, grão, cor e orientação. No scriptovisual as relações estruturais das diferentes informações são muito importantes. Podemos encontrar nos jornais um exemplo evidente da importância da informação, pelo tamanho do título e pela posição do artigo. As informações mais importantes aprecem na primeira página salientadas por grandes títulos e por imagens.

Neste momento de comunicação, as linguagens visual, scripto e scripto-visual vão necessitar de um suporte material para transmitir as suas mensagens (um desenho, palavra ou uma nota de musica). Este suporte material é o médium que permitiu ao Emerec vencer a distância no espaço e no tempo.

O primeiro médium de transposição é um documento, que se inicia na placa de argila até ao manuscrito. Para vencer a distância era necessário fazer o transporte do documento com as mensagens gráficas (desenho e escrita). Estas mensagens conseguiram vencer o tempo porque foram utilizados suportes materiais que resistiram ao próprio tempo. Ainda, hoje encontramos mensagens que se perpetuaram no tempo, nos muros das cavernas e em placas de argila com milhares de anos.

Todo o homem utilizava o gesto e a palavras, mas só alguns (homens privilegiados) tinham a capacidade de se exprimir através da música do desenho. A escrita fonética também era um saber que não pertencia a todos, devido à sua complexidade que requeria uma aprendizagem especial. O escriba foi o primeiro tecnocrata.

Este novo tipo de comunicação baseia-se na desigualdade dos comunicadores, uns que sabem e outros que não sabem. Assim, o poder está nas mãos dos que sabem (elite). A partir daqui as relações humanas são restabelecidas em função das estruturas que consagram a desigualdade – educação de elite.

Escola

A escola está associada à comunicação de élite. Sob a égide do poder político e religioso, o homem social organizou a transmissão de conhecimentos, com o objectivo de formar cidadãos dóceis e paroquianos. De um lado encontramos alunos que aprendem a obedecer e do outro os mestres (que sabem tudo). As elites formavam-se em colégios e Universidades. Estas instituições estavam destinadas a receber os alunos das classes sociais superiores para perpetuar a élite. Ainda, hoje existem colégios particulares que preparam elites e onde só entram alunos cujos pais têm grande poder económico.

3.º - Comunicação de Massa/Escola Paralela


Comunicação de Massa

Este é o momento da ampliação.

Esta ampliação só foi possível, graças ao aparecimento dos media que permitiram a passagem para a comunicação de massa. O homem vai conseguir reproduzir e difundir as suas mensagens de forma quase instantânea para todo o lado, aumentando assim o número de recepetores.

A comunicação de massa inicia-se em 1440, com a criação da imprensa por parte de Gutenberg, sobretudo a tipografia porque inventou os cárteres móveis, reutilizáveis, com os quais podia regravar cada uma das letras de cada palavra em papel.

O livro sucede ao manuscrito como primeiro medium de massa nascido da impressão. Os primeiros livros constituíam verdadeiras sínteses scriptovisuais – pela impressão dos textos em tipografia e pela integração de iluminuras e ilustrações.

Com o crescimento da impressão acabaria por surgir o jornal, que se tornaria progressivamente diferente do livro. A imprensa escrita actual é um médium muito diferente da edição sendo considerado mais um médium de difusão do que ampliação.

O segundo médium de massa (cinema) surge com o animatógrafo dos irmãos Lumiére (1895) que permitiu a realização de espectáculos visuais. Mais tarde, próximo do ano 1930 o cinema torna-se um espectáculo audio-visual com a sincronização do som e da imagem. O cinema é um medium de ampliação, pois as películas podem ser copiadas e transportadas para qualquer permitindo a apresentação simultânea.

A invenção da rádio tornou possível a difusão para longe de mensagens «captáveis» quase instantaneamente por milhões de indivíduos, equipados com postos receptores. A rádio é considerada o primeiro sistema de telecomunicação de massas. Este medium utiliza a mensagem sonora que acaba por vencer o espaço sob a forma de ondas sonoras.

Mais tarde, aparece um novo medium da comunicação de massa, a televisão que alia a mensagem sonora à visual. A televisão acabaria por chegar a todas as casas.

A comunicação de massa só foi possível graças ao aparecimento dos mass media, que se repartem em duas categorias: os mass media baseados na difusão (imprensa escrita, cinema, rádio e televisão) e os mass media baseados na edição (o livro, o disco, o cartaz, etc.)

Escola Paralela

Antes do aparecimento dos grandes mass média, as crianças aprendiam mais coisas na escola do que no seio familiar e social. Com os mass média as crianças ficam sujeitas a um conjunto de estímulos afectivos e intelectuais, acabando por reter conhecimento fora da escola.

Assim, a presença incontestável dos mass media leva à institualização da escola paralela, que gerou três movimentos diferentes sobre a sua relação com a escola: de substituição, de concorrência e de complementaridade.

O primeiro movimento - substituição (Ivan Illich) – defende uma sociedade sem escola, onde cada homem teria a possibilidade de aceder livremente aos conhecimentos através dos media, ou objectos educacionais. O segundo movimento – concorrência (Louis Porcher) – defende que a concorrência entre a escola e a escola paralela (media) está relacionada com a imobilidade da escola face aos avanços da escola paralela e da capacidade de difusão dos novos media, e à sua dificuldade em acompanhar esses mesmos avanços. O terceiro movimento – complementaridade (La Borderie) – considera que o termo escola paralela é lamentável, uma vez que promove uma divisão entre escola intra-muros e escola extra-muros, quando efectivamente não terá de ser necessariamente nesta perspectiva. A escola deve ser encarada numa perspectiva de educação permanente, isto é, em função dos vários processos de aprendizagem a que cada indivíduo está sujeito, seja por parte da família, do meio ambiente ou dos media. A escola será um espaço complementar de encontro das diferentes formas de interpretar o mundo.

4.º - Comunicação Pessoal e Individual/Auto-educação.


Comunicação Pessoal e Individual

Este é o momento da gravação.

No apogeu da era da comunicação de massa, paralelamente aos mass media surgem os media individuais, que chamamos self-media (baseados na gravação). O primeiro media individual que entrou nos hábitos das pessoas foi a fotografia. Difundindo-se facilmente, a fotografia passou a constituir um meio de registo da memória visual de acontecimentos, de objectos, pessoas e de lugares, transformando as relações humanas e familiares, mas também um modo de expressão e de arte.

Surge um novo media individual no campo áudio, a audiografia, o correspondente sonoro da fotografia que teve origem no fonógrafo e na rádio. Surge assim o magnetofone que permite reconstruir uma realidade sonora, integrando barulhos, música e palavras provenientes de fontes diversas.

No plano audovisual surge a audiovideografia, que permitiu o registo de som e imagens, em documentos destinados a um visionamento individual, ou para pequenos grupos, nomeadamente para fins pedagógicos.

No plano scripto surge a reprografia – conjunto dos processos simples de reprodução gráfica – que liberta o homem da indústria da impressão.

Graças aos média individuais (self-média), o homem tem agora à sua disposição uma série de meios de comunicação para emitir e receber. Cria-se assim a comunicação individual.

A comunicação individual é a possibilidade de ter acesso a mensagens sempre disponíveis e a capacidade de se exprimir.

Neste contexto o homem torna-se o ponto de partida e o ponto de chegada da comunicação. Ele já não é informado, ele informa e se informa.

A auto-educação

As tecnologias de registo dos self-media vieram permitir a conservação e a transmissão da bagagem intelectual em diferentes linguagens, visual, sonora, audiovisual e scriptovisual. o acesso à informação

Na escola ocorre uma mudança na relação professor/aluno, o professor deixa de ser um emissor privilegiado ficando liberto das funções meramente informativas, para exercer funções mais formativas. O aluno transforma-se no auto-educando que tem acesso a uma quantidade de saber e saber-fazer.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Entropia


Alguns autores referem-se a entropia como uma desordem ou como informação. Mas, não é exactamente nem uma nem outra. O termo entropia foi usado pela primeira vez na termodinâmica, sendo mais tarde transferido para o domínio da informação.

A definição científica deve-se a Shannon e a Léon Brillouin: a medida de informação pode ser representada pela seguinte expressão:

I = K log P

I – representa a quantidade de informação sobre um acontecimento ou situação, para as quais existem P possibilidades de probabilidades iguais.

K – é uma constante, chamada de constante de Boltzman que aparece em termodinâmica na equação de Max Planck.

Segundo a segunda lei da termodinâmica a entropia está constantemente a aumentar em qualquer mudança espontânea. Se a mudança é reversível a entropia mantêm-se constante.

Esta lei também se aplica da mesma maneira à informação: a sua intensidade diminui à medida que é comunicada. Se a comunicação for perfeita, ou seja, se não ocorreu nenhuma perturbação, a entropia permanece constante. Quando ocorre uma perturbação a entropia aumenta e a informação diminui.

A entropia e informação são quantidades isomórficas, mas de sinal contrário. Portanto, entropia pode ser considerada como uma medida da nossa ignorância, da nossa insegurança e uma medida inversa da informação.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

INFORMAÇÃO


A informação deve ser vista como um conceito interdisciplinar. Isto significa que os conceitos de informação devem ser estudados nas diferentes áreas tais como a biologia, psicologia, filosofia, a ciência da computação, a sociologia, a economia, a gestão, a ciência política, a comunicação e os estudos de informação.

Na interdisciplinaridade não emergiu um acordo ou teoria unificadora. Sempre que se tenta definir informação surgem logo diversas definições de acordo com cada contexto.

Newman agrupou os diferentes conceitos da informação das diferentes ciências da seguinte forma:

· Conceito probabilístico da informação;

· Conceito de processamento de informação;

· Conceito ecológico da informação;

· Conceito social e organizacional da informação.

Na tentativa de não ser muito exaustivo, apresento algumas definições de informação como Processo, como Conhecimento e como Coisa e na comunicação. Assim, na comunicação a informação corresponde a uma coisa, a um processo ou a um produto de manipulação.

A informação como coisa trata a informação como pensamento sendo uma coisa (não material). Dois exemplos destes conceitos são: a informação é uma coisa que existe sem massa e energia; a informação é uma coerente colecção de dados ou mensagens organizadas que têm significado e ou podem ser usados pelo sistema humano.

A informação como processo vê a informação como o fenómeno de informar ou de alterar uma dada situação com redução de incerteza.

A informação como produto de manipulação é vista como uma coisa que pode ser manipulada, isto é, a informação é um dado produzido, como resultado de um processo sobre dados.

A informação como Processo, como Conhecimento e como Coisa define informação como processo, conhecimento e coisa.

A informação como processo refere-se ao acto de informar ou ser informado; como conhecimento refere-se ao que é percebido na informação como processo. É o conhecimento que é comunicado. Nesta situação vê-se a informação como redução de incerteza; como coisa refere-se a coisas que são olhadas como sendo informativas, coisas que se tornam informadas. Essas coisas podem ser: um objecto material, um texto, um dado, eventos, etc..