sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

1.º - Comunicação Interpessoal/Família


Comunicação Interpessoal

Este primeiro momento é o da exteriorização

O primeiro momento da história da comunicação iniciou-se com o homo sapiens, há várias centenas de milhar de anos. Vivendo em condições difíceis, o homem teve que arranjar formas de se proteger contra as forças da Natureza. Encontrando-se, em desvantagem em relação aos animais, compensou a sua fraqueza com a sua astúcia e a sua habilidade manual. O homo sapiens tornar-se-á simultaneamente o homo faber e homo loquens.

Este homem aprende a exteriorizar as suas necessidades, as suas ideias e os seus desejos, estabelecendo um sistema de comunicação cada vez mais elaborado a partir do seu próprio corpo. Utiliza gestos e emite sons que se tornam, pouco a pouco, códigos significativos. A dança e o canto permitem-lhe exprimir sentimentos, manifestar alegria, tristeza ou oração.

No decurso deste momento, a expressão corporal e verbal constituiu o único modo de comunicação Emerec. Este meio de comunicar exige a presença de todos os interlocutores num mesmo espaço e tempo. Cria-se então entre eles uma relação caracterizada pele ambivalência de Emerec, cada intercomunicador é alternadamente, um e outro, em consequência da rapidez das suas reacções. Baseando-se na troca e na reciprocidade entre inter-locutores e os inter-comunicadores, estamos perante uma comunicação interpessoal.

Nesta forma de comunicação, temos o homem como único medium de comunicação. Estando o alcance da comunicação de Emerec limitado pela acuidade auditiva e visual do seu interlocutor e, não tendo, ainda, aprendido a transpor e a materializar as suas mensagens, para comunicar à distância, ele teria que se deslocar ou confiar a mensagem a outro homem (mensageiro). Este reproduziria pelas suas próprias palavras, pelos seus próprios gestos, a mensagem que lhe foi confiada.

A duração da comunicação de Emerec é limitada ao instante. Assim, podia repetir a sua mensagem, sendo a sua comunicação limitada pela duração da sua vida ou confiá-la a outro homem que se encarregue de a perpetuar no tempo. Este homem era um especialista desta transmissão oral, desempenhando o papel de memória do tempo. Ainda, hoje encontramos alguns destes homens em algumas tribos da Amazónia e África.

A família

A família desponta como a estrutura educativa por excelência, numa configuração comunicativa marcada pela ralação espaço/tempo, pela necessidade da co-presença dos interlocutores e pela estantaneidade da mensagem, através da expressão oral (fala) e corporal (gestos).

Nas economias de subsistência, sociedade familiar, de cultura comum, aprender significa alcançar uma identidade comunitária e a subsistir. O pai ensinava o filho a caçar, a pescar, a semear, a apanhar frutos, etc. Esta tarefa de comunicação não se limitava a uma mera exposição verbal, ou a uma simples demonstração do acto, o jovem deveria exercitar-se e corrigir-se quando cometia erros. Rapidamente, o filho poderia evoluir fora da sua família, podendo mais tarde por si próprio ensinar coisas ao pai. O saber humano não é um bem que se transmite, imutável, de geração em geração, como fazem os animais, mas um capital que aumenta de pais para filhos. Neste sentido um Emerec evolui por uma aquisição cumulativa de saber e saber-fazer.

Ainda, hoje em dia esta modalidade de aprendizagem é praticada no seio das famílias, onde os jovens adquirem uma parte dos saberes fundamentais à vida.

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